Carta dos caciques do povo Munduruku


Somos caciques do povo Munduruku, convocamos essa assembleia geral que aconteceu no dia 24 a 27 de Abril na aldeia WaroApompu, esteve presente 72 caciques e mais de 500 Munduruku. Discutirmos todos os projetos de morte que já estão afetando nosso território. Estamos nos reunindo por acreditarmos que a partir da organização, da reunião e da conversa vamos encontrar as soluções dos problemas. presente

Discutimos sobre a organização Pusuru, como está sendo usada para destruir nosso território, desrespeitando nossos caciques e não protegendo a vida de nosso povo. Decidimos extingui-la, para que parem de usar contra nosso povo, contra nosso rio e território. Estamos doentes, sem água, os peixes e caças sumindo, associação é para ajudar o povo e não pra ajudar a destruir nosso futuro.


Discutimos a questão da demarcação dos Território Sawre Muybu e território Sawre Bapin. O governo tem que demarcar os territórios indígenas e não com o propósito de querer explorar as terras indígenas.

Discutimos sobre o papel do cacique, que deve cuidar do seu povo, não permitir que entre projetos dos Pariwat. Do papel do professor que é trazer a informação verdadeira. E do profissional da saúde que é cuidar da vida do nosso povo. Essas importantes lideranças não podem se envolver com a exploração de nosso território. Sabemos que hoje todos nós somos estudados por isso não estamos perdidos para descobrir o que é errado, principalmente os projetos dos governos que fazem a vontade dos pariwat que vem invadir a nossa região.

Não queremos o projeto de lei 191/20 que o governo federal Jair Bolsonaro quer aprovar de qualquer custo em cima do nosso território, sem consultar e sem o consentimento do povo, esse projeto de morte é o que está trazendo divisão entre o nosso povo, trazendo violência, estão atacando as mulheres e lideranças que lutam pela defesa do território. Os pariwat estão usando o nome do nosso povo Munduruku a favor da PL 191. Nenhum senador, deputado ou vereador pode falar pelo povo Munduruku, e nem dizer que representa o povo.

Nós que decidimos o que queremos para o nosso território, queremos mostrar que estamos aqui, esse homem que se diz presidente do Brasil não nos representa. Primeiro tem que fazer o papel de respeitar os povos indígenas e seus territórios. Precisamos de vida e não de morte. sabemos que esse projeto vai trazer mais prostituição, drogas, doenças e mercúrio, o dever do Estado é proteger e não incentivar a entrada em nosso território.
Somos mais 140 aldeias incluindo o médio, alto tapajós e baixo Teles Pires. Somos guerreiros, vamos sempre proteger o que é nosso. O congresso Nacional não pode aprovar esse projeto sem ao mesmo nos ouvir. Não queremos que eles sentem com pequenos grupos pró-garimpo, esses não podem falar por todo o povo.

Nenhuma associação tem o direito de representar o povo Munduruku isoladamente, para isso temos o protocolo de consulta do povo Munduruku, de acordo com a Convenção 169, para fins de consulta prévia, livre e informada.
Somos autônomos, quem está na luta somos nós mesmos, as nossas organizações, principalmente o Movimento Ypereg Ayu e as organizações que colaboram com ele. trabalhamos independente, sem depender do governo.

A gente está cansado de esperar pelo governo.
Sabemos claramente de nosso direito constituído na Constituição que é a carta magna.
Os caciques formalizaram e elaboraram suas determinações contra o projeto do governo que ferem os direitos da população indígena existente no Brasil, aqui falamos exclusivamente Munduruku. Nós defendemos vidas. vida de seres humanos, animais, florestas, rios e todas as formas de vidas existentes na natureza. O nosso lema será sempre promover segurança e proteção e bem-estar de todos.

Aldeia Waroapompu, Terra Indígena Munduruku, 26 de abril de 2021

15 comentários em “Carta dos caciques do povo Munduruku

  1. Um País que sempre viveu num regime totalitário que vem da Monarquia a Ditadura da Corrupção dos dias de hj . Mais de 500 anos de indecência e desrespeito aos mais básicos princípios de idoneidade. A esperança esta nas mãos da natureza que em algum momento vai se manifestar .

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